quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

 Como numa masquerade. ..O salão se agita. Desfilam as fantasias, dançam os mascarados, os copos se esvaziam, metamorfoses coloridas sem fim. Mas a orquestra toca sempre a mesma música. O regente, mascarado também, comanda o espetáculo...
As mudanças são os disfarces de uma mesma farsa. O  que sinto é um enfado enorme
Várias fantasia....mas só os palhaços riem de tudo e de todos!


Não se pode esperar que os lobos, cães vadios e hienas, todos eles carnívoros, votem leis para proteger as galinhas e os patos de sua voracidade
Tenho esperança que um dia o povo prefira a vida ao engodo que se lhe oferece.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

'’Jovens sem nenhuma utopia
Caminham tensos pelas ruas de suas casas velhas
Sem nenhuma luz, sem nenhuma luz de Fernando Pessoa
Fechados nas sexuais telas da impotência
Se masturbam contemplando corpos em decomposição!
Morte da minha fé,
Onde estavam o beija-flor e o arco-íris
Na hora do nascimento dessas criaturas?
Quantas gotas de flor restam nos corredores dos céus
De vossas bocas?
Quais fontes clamam por vossos nomes?
Eu entrando na virtuosa idade
E eles entrando em idade nenhuma.
Os filhos da morte burra
Cheiram o branco pó da anemia
Esqueceram que um dia tocaram na poesia da
Transgressão em pleno ventre de suas esquecidas mães
Esqueceram de colar o ouvido ao chão
Para ouvir as ternas batidas do coração das borboletas.
Os filhos da morte burra
Jamais levantam uma folha para conhecer o labor dos incertos
Jamais erguem taças ao luar para brindar a
Vigorosa lua
Os filhos da morte burra,
Desconhecem ou jamais ouviram falar em iluminação
Apenas abrem a boca para vomitar’’

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

CIDADE SEM PLANEJAMENTO É COMO CASA SEM PROJETO

Imaginem que em uma casa morem 5 pessoas: Uma família composta pelo pai, a mãe, dois filhos pequenos e a avó. Só que essa casa tem um problema, ela tem os quartos todos no andar de cima, e a avó não consegue mais subir escadas.
Para resolver essa situação e dar um cantinho para a vovó, o casal resolve usar um pedaço da sala, fazendo uma espécie de cubículo fechado com cortinas. Em um primeiro momento, ela ficou animada, aliviada por não ter que subir mais até o pavimento superior, e todos acharam que a casa ficaria mais bem adaptada a ela, deixando todos felizes. Mas não foi bem isso que aconteceu. A sala continuou sendo usada normalmente, e o barulho da televisão começou a incomodar a avó, que gostava de dormir mais cedo do que a criançada. Além disso, o casal passou a não poder mais receber visitas, pois não tinha mais espaço para isso, e começaram a ficar mais isolados no quarto. E por estar em um local bem no meio da passagem, as cortinas ficavam sujas com facilidade, pois todos encostavam ali sem querer ao circular da sala para a cozinha ou quando chegavam em casa. Ou seja, o que era para ser uma solução criou outros problemas, e na verdade não resolveu a situação da avó.
Esse é apenas um exemplo aleatório das inúmeras possibilidades de problemas que podem surgir quando não é feito um bom planejamento dos espaços, com ações tomadas com base em apenas um objetivo muito específico, sem pensar no todo.
Os espaços possuem usos e dinâmicas variadas, e cada situação deve ser analisada com cuidado para prever o impacto de cada intervenção da maneira mais ampla possível. Esse é o grande desafio dos projetos de arquitetura, que têm, portanto, um papel bem mais significativo do que simplesmente deixar os ambientes ou construções bonitos. E mesmo com os projetos, muitas falhas acontecem, dependendo da visão e conhecimento de cada profissional e também da complexidade do espaço em questão.
No caso das cidades, essa complexidade é muito grande, especialmente em regiões metropolitanas. Todos os fatores de eficiência, segurança e conforto que devem ser considerados no projeto de arquitetura fazem também toda a diferença no projeto urbanístico, porém com uma quantidade de pessoas e de usos muito mais variada.
Se não existir esse planejamento amplo, as soluções acabam prejudicando a todos, assim como o quarto da vovó no meio da sala, fechado com cortinas de um jeito muito improvisado. Ela não ficou mais feliz por estar ali, e sim mais incomodada, no final das contas. E todo o funcionamento da casa foi também prejudicado. Outras soluções poderiam ter sido pensadas, como um outro tipo de acesso ao andar superior ou então a criação de uma área para a avó em outro local, e com divisórias de outro tipo. Para que tudo se encaixasse melhor.

Portanto, assim como o crescimento desordenado das cidades faz com que existam inúmeros problemas, o planejamento mal feito também. Pode parecer que vai melhorar alguma coisa, mas essa é uma visão muito imediatista e limitada, que não se encaixa com questões que envolvem fatores muito subjetivos e dinâmicos como o comportamento humano. As consequências começam a aparecer, e as soluções acabam não funcionando, e tudo poderia ser previsto, se existisse a preocupação real e uma abordagem mais ampla e imparcial. É uma pena que isso às vezes pareça ser pedir demais.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

11 de Dezembro - DIA DO ARQUITETO

                     Arquitetos: Paulo Mendes da Rocha, Sami Bussab e Antônio Augusto

                                              Arquitetos: Ruy Otake e Antônio Augusto

SER ARQUITETO

O arquiteto é essencialmente eclético, por isso se encaixa em tantas atividades. Nosso trabalho é criar instrumentos de cidadania e construir nosso "estar no mundo".
Ao procurarmos dar formas à encomenda, somos interpretadores das necessidades do homem, seja na família, nas instituições, na cidade.
O arquiteto tem que saber interpretar todos os sinais e dimensões de cada situação, sintonizado com as tecnologias e estimulando o avanço delas. Tem de ter a capacidade de participar da produção como agente crítico, propondo soluções e encontrando caminhos mais completos e mais abrangentes. Afinal, arquitetura é o espaço-sintese de toda cultura.
A todos os colegas arquitetos, meus parabéns.

ANTÔNIO AUGUSTO DA SILVA JÚNIOR 

terça-feira, 30 de julho de 2013

OH CISNE SE FOSSES FÊNIX!

Cisne branco que como rosa és verde
Que de tão verde, tinges o vale.
Que como homem és rio, Nilo.
Que como casa és abandono.



Teu semblante é pálido e melancólico
Teu cenário, tão escuro;
Porque tudo é desordem no escuro da ausência sobre tudo de cores vivas.
Teu tema é silencioso, abandono.



Teus brancos galgos, onde estão?
Acaso te abandonaram teus fies guardiões?
E teus deuses alvejantes? Não os vejo acimados em  teus platibandas!
Morada dos Deuses,acaso o Olimpo revoltara-se contra vós, e todos abandonaram-te?


E as grades que te protegiam?
Acaso dá corpo aquele maciço descomunal de ferragens retorcidas?
Tuas folhas de janelas, teus almofadados de portas, tuas vidraças estilhaçadas,
Agora tudo se amontoa em um volume colossal.



Não és, uma construção; estais repartida, fundida, fragmentada.
Aqui um cômodo, ali outro e acolá um corredor, que já não liga teus cômodos;
Triste sina de lugar que não foi bastante amado.
Parece suplicar, reivindica por devolver-lhes de longe os gestos esquecidos.


Acoberta o quadro o avanço vegetal,
O canavial cumpre seu papel em prol daqueles que o semearam,
Assume a função de cortina vulgar de decência,
Disfarçando a nudez dolorosa de vossa ruína.



Se cerro os olhos e ao passado incorporo,
Encontro-vos em minhas lembranças de visão infantil,
Tão nobre, tão senhorial.
Se desperto, não torno mais a ver-te, estranha morada.

Oh casa se te respeitassem!
Oh rosa se te regassem!
Oh cisne se fosses fênix!

ANTÔNIO AUGUSTO JÚNIOR

* Fotos do acervo de Gibson Machado

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

DE QUE ME IMPORTA!

      De que me importa uma torneira seca, se não tenho sede; ou a luz apagada, se o que quero mesmo é esconder-me na escuridão; ou ainda uma porta fechada com a chave do lado oposto.
     Importa-me o pior, a renúncia à liberdade; a renúncia à sede, que me faz abrir a torneira; a renúncia ao desejo de luz, que me impede mostrar o rosto; a renúncia ao aberto, que me faz girar a chave.
     Importa-me o pior, esta secura; esta escuridão; esta prisão, que já não está fora de mim, mas que tornara-se eu mesmo, com minha falta de sede, com minha predileção pelo escuro, com minha falta de vontade de girar a chave da minha vida.


Antônio Augusto da Silva Júnior

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

VELHO ENGENHO

Dentro do nevoeiro do vale mal se entrevêm os despojos do velho engenho morto. A casa está em ruínas e uma erva hostil cresceu, silenciosa, por toda a bagaceira, invadiu os alpendres e assenhoreou-se do chão onde nunca mais pisou o pé humano.
Que fim levaram os antigos moradores? Onde os meninos trêfegos, os mestres, os cambiteiros, os animais e as aves que alertavam as madrugadas?
Tudo parece morto, não há sinal de vida dentro do grande vale onde outrora ecoavam os rumores do trabalho e as alegrias das safras exuberantes.Os próprios caminhos estão ocultos ou se tornaram sendas misteriosas de um mundo perdido. As chuvas os transformaram em barrancos, as formigas, ás suas margens, construíram sossegadamente o seu reino. E á noite, sob as estrelas, as corujas desferem o seu canto soturno e imprimem ao velho engenho um aspecto de câmara ardente.
Entretanto, a terra, em redor, clama por que a fecundem. As árvores, embora maltratadas e esquecidas, guardam no porte a majestade dos dias em que foram belas. Coroando o outeiro, como um penacho real, ergue-se um pau darco de cem anos, que ainda floresce como no tempo de jovem.E tudo isso paira, ali, no exílio, como se fosse um continente ignorado, lembrando a terra depois do dilúvio.
Eis um crime para o qual não há pena. Esse êxodo de ingratos e de emasculados, que arrancaram suas próprias raízes para ir vegetar adiante, como parasitas, merecia um castigo. Eles, os senhores, os meninos que se tornaram velhos, perderam-se nas ruas, passeiam displicentemente pelo asfalto das cidades, dançam e cantam nos clubes. A sua vida parece a dos presidiários que se consolam com o simples passar dos dias e das noites. A diferença é que esses fugitivos sem alma nunca têm remorsos. O velho engenho lá ficou, desmanchando-se pedra por pedra. Os maquinismos foram vendidos ou enferrujam, na sepultura das moitas, enquanto a erva cresce, silenciosa, afogando os alpendres, cobrindo como um sudário implacável, a bagaceira morta.
(BARBOSA,Edgar. Imagens do Tempo,edição da UFRN, 1966.)